Certificados de Aforro

Março 21 2012

São instrumentos de poupança a que os portugueses costumam recorrer, mas têm fugido cada vez mais deles. A subscrição de certificados de aforro sofreu uma «queda significativa». Mas isso tem explicação: a crise económica e o aumento das taxas de juro dos depósitos bancários, segundo o presidente cessante do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP).

«O stock de certificados de aforro desceu de 18,2 mil milhões de euros em janeiro de 2008 para 12,3 mil milhões em fevereiro de 2012. Esta tendência acentuou-se nos finais de 2010 e no início de 2011, em parte devido ao agravamento da crise dívida e do [aumento] das taxas de juro dos depósitos» oferecidos pela banca, disse esta quarta-feira Alberto Soares perante a comissão parlamentar do Orçamento.

«Terá havido uma alteração na perceção dos riscos dos certificados do Tesouro e dos certificados de aforro, e isso associado ao fenómeno do diferencial dos juros terá motivado esta queda significativa».

O deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares questionou o presidente cessante do IGCP sobre o decréscimo deste «produto nobre das poupanças dos portugueses».

«Isto demonstra uma escolha política», disse o parlamentar bloquista eleito pelo Porto. «Foi uma escolha de passar para outros um papel que era do Estado. Os valores envolvidos são enormes».

Segundo Pedro Filipe Soares, esta «degradação dos certificados de aforro» serviu para permitir à banca privada «reequilibrar os seus balanços» através da captação de depósitos. Isto é, à medida que os certificados de aforro se tornavam menos atraentes e os bancos aumentavam a taxa dos seus depósitos, as poupanças dos particulares transferiram-se dos certificados para a banca. «Alguém ficou a ganhar com isto, e não foi o Estado».

Alberto Soares frisou que «em nenhum ponto da missão e do objetivo do IGCP» está a promoção da poupança: «Haverá outras instâncias que se preocuparão com o facto de a poupança, do ponto de vista macroeconómico, ser feita no setor público ou privado». 

O presidente cessante do IGCP (abandonará a instituição no final deste mês) acrescentou que «do ponto de vista do financiamento», a redução do stock de certificados de aforro «não colocou problemas ao Estado».

Segundo o boletim mensal do IGCP, desde o final de 2011 jásaíram dos certificados de aforro 459 milhões de euros em termos líquidos.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

 

publicado por adm às 21:52

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