Certificados de Aforro

Janeiro 23 2013

Há 44 meses que estes produtos não captavam investimento.

Os Certificados de Aforro (CA) inverteram a tendência de fuga dos investidores, depois de 44 meses consecutivos de resgates líquidos. Os CA captaram dois milhões de euros em Dezembro, um marco histórico para um produto que perdia poupanças desde Abril de 2009. 

Esta inversão de tendência surge três meses depois de o instituto que gere o crédito público (IGCP) ter tomado medidas para estancar a hemorragia de capitais dos CA, aumentando a remuneração do produto. O IGCP introduziu um prémio de 2,75% (275 pontos base) para os certificados da série C, a única actualmente em comercialização, para vigorar até final de 2016. Um prémio que coloca os juros brutos deste produto em 3,156%, para as novas subscrições em Janeiro, o que compara com os cerca de 0,4% que estes certificados pagariam mediante as regras antigas.

Os certificados da série C não foram os únicos beneficiados com esta medida. O IGCP aumentou também a remuneração associada aos produtos da série B, concedendo-lhes um prémio adicional de 100 pontos base. Embora já não se encontre em comercialização, esta série representa cerca de 94% do total investido em certificados - a série C representa apenas cerca de 1,5% - o que significa que era urgente estancar a fuga de capitais desta série. Ainda mais porque, dos 9,7 mil milhões de euros que continuam investidos neste produto, 4,1 mil milhões correspondem a juros a ser pagos pelo Estado aos aforradores no momento do resgate. Juros que estão concentrados, quase na totalidade, nesta série B. Trata-se de dinheiro do qual o país não dispõe, o que obrigaria Portugal a aumentar o nível de financiamento por outras vias, nomeadamente nos mercados de dívida de curto-prazo.

O início da fuga dos Certificados de Aforro começou com a comercialização da série C e com a revisão da série B, no início de 2008. Na altura o Governo alterou a fórmula de cálculo de juros deste produto, baixando abruptamente a sua remuneração. Desde então, mais de 230.000 subscritores abandonaram este produto, resgatando quase 8,5 mil milhões de euros. Uma conjuntura que foi ainda agravada nos últimos anos, dada a necessidade de muitas famílias recorrerem a poupanças, mas principalmente devido à concorrência dos depósitos a prazo até meados do ano passado.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 21:29

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