Certificados de Aforro

Setembro 21 2014

Não são apenas os depósitos dos bancos concorrentes do antigo BES que estarão a beneficiar com o colapso da instituição de Ricardo Salgado.

Dois tradicionais produtos de poupança que o Estado vende às famílias portuguesas (e que conta como dívida pública) -- os certificados de aforro e do Tesouro -- registaram aumentos muito pronunciados nos últimos meses. "Para estes aumentos, poderá ter contribuído a incerteza registada no setor bancário, em resultado do caso BES", diz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental na Nota Mensal sobre a Dívida Pública de agosto.

A equipa de técnicos, que apoia o Parlamento observa que "no mês de julho, registou-se um acréscimo líquido significativo da posição de Certificados de Aforro e de Certificados de Tesouro".

Segundo os cálculos da UTAO, "o stock de Certificados de Aforro no final de julho situou-se nos 11120 milhões de euros, tendo-se verificado nesse mês um montante de subscrições (bruto) de 300 milhões, o maior acréscimo mensal desde, pelo menos, 1999". A subida homóloga implícita em julho é de 13,6% e de mais 4% face a junho, o mês em que se tornou evidente de que os problemas do GES afetariam severamente o BES.

O stock de Certificados de Tesouro aumentou para "3476 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 324 milhões" entre junho e julho, acrescenta o grupo de peritos da AR. O aumento mensal é de 10% e em termos homólogos supera os 150% (muito mais que duplicou).

Ou seja, em apenas um mês o Estado encaixou 624 milhões de euros em termos brutos, um movimento que a UTAO relaciona com a incerteza bancária provocada pela queda do BES.

Estes dois produtos de dívida pública são caracterizados pelo seu perfil conservador, pelo risco quase nulo e taxas de rendibilidade baixas. Em momentos de incerteza, a tendência é este tipo de aplicações atrair mais aforradores.

BES tirou diretamente 675 milhões à bolsa

A bolsa de valores também se ressentiu, perdendo dinheiro e o interesse de muitos investidores. De acordo com a UTAO, "a exclusão das ações do BES do índice, decidida pela Euronext, induziu uma perda automática e temporária no PSI-20, passando este a incluir apenas 18 empresas cotadas".

"As ações do BES foram retiradas a um valor de zero euros, diferentemente do que ocorreu com a Espírito Santo Financial Group, cujas ações foram retiradas ao valor de mercado que vigorava no momento da sua suspensão. Em resultado, o índice foi impactado por uma perda de 675 milhões de euros, correspondente ao valor de mercado do BES", refere a UTAO.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 12:44

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